Feng Shui
Não só na China como em outras nações orientais e ocidentais, o Feng Shui tem tido o seu lugar de destaque tanto na harmonização interna dos ambientes residenciais, comerciais e industriais, quanto nos externos. Assim como a escolha do melhor relevo, cursos d`água, vegetação e clima para a construção de prédios e do projeto paisagístico para uma arrumação perfeita energética, procurando sincronizar o homem com o meio ambiente.
O termo “Feng Shui” se pronuncia “Fông-Suei”, (vento-água), que em sentido amplo significa as relações com a natureza ambiental, a influência da paisagem sobre a estética dos edifícios e na felicidade dos seus habitantes.
A preocupação dos geomantes era tão grande na China em localizar o melhor sítio ou terreno para erguer uma construção, que tinham como hábito, colocar um carneiro pastando. Após algumas horas, abriam o estômago do animal. Se a digestão tivesse acontecido significava que a área era propícia para o erguimento da construção, pois seria saudável para quem fosse habitar naquele prédio. Do contrário, abandonavam a área. Outra técnica mais tarde utilizada, era a de plantar samambaia macho (aquela comumente encontrada em muros ou lugares úmidos) no terreno escolhido. Se a planta não desenvolvesse, significava que o terreno não era auspicioso para erguer o prédio. Para os chineses, a localização perfeita era aquela em que a casa ficava de frente para o Sul, e tendo às suas costas montanhas que a protegessem dos ventos frios vindos do Norte, devido a China estar no Hemisfério Norte. Para as harmonizações no Hemisfério Sul, as qualidades apontadas para o Sul e Norte naturalmente se invertem; isto é, a porta de entrada das residências no Brasil; abaixo da linha do Equador (Hemisfério Sul) deve estar voltada para o Norte.
O Feng Shui na China antiga era praticado somente pelos homens, e era transmitido de geração para geração, chamados monges ou consultores.
O Feng Shui procura explicar o comportamento da natureza em relação à vida das pessoas.
Existem três escolas no Feng Shui:
- A Escola da Forma – Essa escola dá grande importância a forma das montanhas, e a direção dos cursos d`água. Ela trata da relação dos ícones dessa escola que são o Dragão verde, elemento presente no lado esquerdo do prédio (força maior no Feng shui); o Tigre branco, presente no lado direito (força ameaçadora); a Tartaruga negra nos fundos do prédio (força protetora); e finalmente a Fênix vermelha na frente do prédio (liberdade e ação). Essa escola cuida da relação do nosso prédio com o entorno ou vizinhança.
- A Escola da Bússola ou Compasso – Trata da harmonização ambiental a partir dos pontos cardeais e da astrologia chinesa. É uma escola muito antiga na China.
- A Escola do Budismo Tântrico Tibetano ou Seita do Chapéu Negro – seu criador o monge Thomas Lin Yun, nascido em Pequin em 1932, iniciou seus estudos em um templo Budista Tibetano. A seita trouxe para o ocidente a sabedoria antiga, para lidar com as preocupações modernas. Esta escola é a mais difundida no ocidente e reúne os conhecimentos do Feng Shui de maneira simplificada. É a mais acessível à grande maioria dos especialistas nessa prática. Em geomancia, nossa escola, propõe a superposição dos oito trigramas sobre a planta baixa do pavimento, do terreno, do cômodo da casa ou escritório da pessoa. Quando dizemos superposição, queremos dizer memorizar os oito trigramas até sabê-los de cor. Desse modo, ao lermos o Feng Shui de um local específico, não necessitamos ter conosco uma bússola. Não é que nos oponhamos a outras pessoas usarem bússolas; trata-se apenas de que freqüentemente nós não usamos uma bússola tradicional. Tomamos os principais signos divinatórios da bússola de nossa Seita do Chapéu negro- “os oito trigramas” – e os guardamos na memória, atribuindo a cada série uma “posição relativa”. Esse método é também conhecido, na verdade, como os “Oito Trigramas em Mutação perene” e a utilização do Mapa Baguá, subdividido em oito guás como: Carreira ou Trabalho, Amigos ou Viagens, Criatividade ou Filhos, Relacionamento ou Casamento, Sucesso ou Fama, Prosperidade ou dinheiro, Família ou saúde, Espiritualidade ou Autoconhecimento, e ainda um ponto central (interseção de todos os guás), chamado Tai-Chi ou Saúde.
Em termos gerais, a Seita do Chapéu Negro inclui áreas que são “Visíveis”, cujas formas conseguimos realmente ver, e áreas que são “invisíveis”, de cujas formas só temos uma consciência.
Pelo aspecto “visível”, ao investigarmos o Feng Shui de um local, devemos prestar atenção ao Ch`í do terreno, ao formato do terreno, à forma da casa, planta baixa da casa, e outros fatores. Devemos prestar especial atenção a esses “outros fatores”, que incluem “fatores internos” e “fatores externos”.
Os “fatores internos” se referem à distribuição e à decoração dentro da casa, como seria o local onde a cama está colocada, o modo como o fogão foi projetado, a relação entre as portas e janelas, a existência de vigas, pilares, colunas, o ponto onde a escada está localizada, as cores e a intensidade da luz dos quartos e assim por diante.
Quanto aos “fatores externos” referem-se à situação fora de casa, como seria saber se a porta da frente está virada para a rua, se há alguma ponte na vizinhança, se existe rio ou mar nas imediações, se o local está cercado de campos verdejantes, se está “de frente para algum santuário ou atrás de um templo”, se há árvores frondosas nas proximidades, se a cumeeira e as quinas do telhado do vizinho estão direcionadas para sua casa, se a sua porta social está voltada para um poste com transformador ou rede de alta-tensão, ou para uma delegacia , ou para um prostíbulo, ou para um cemitério, ou uma grande lixeira, ou para um hospital, e assim por diante.
Para o feng Shui a energia dos ancestrais é muito respeitada; é colocada em seu devido lugar para que não choque com a energia dos vivos. Em uma harmonização ambiental interna, devemos ter o cuidado com a desimpregnação ou descarte de roupas e objetos pessoais que pertenceram aos falecidos; evitando também suas fotos expostas. Assim evita-se a estagnação energética ou a aproximação da energia ancestral ao apego aos bens materiais. Se porventura possuirmos algum objeto que tenha pertencido a alguém falecido, e que tenha nos chegado ainda com a pessoa gozando de boa saúde, não devemos nos preocupar em descartá-lo, porque a situação é diferente daquela em que os herdeiros apropriam-se indevidamente e até com brigas.
Para objetos adquiridos em antiquários o cuidado deve ser redobrado. A origem das peças nem sempre é passada com detalhes. Como exemplo, em uma de minhas harmonizações na residência de uma artista plástica, que havia falecido vítima de um câncer. Ao inspecionar os compartimentos do imóvel, antes mesmo de mapeá-los pelo Feng Shui, observei que havia dois falcões em madeira dourada sobre colunas laterais à porta de seu atelier. Medi a energia das peças com o dual-rod e pêndulo (instrumentos radiestésicos), e recomendei a retirada imediata das peças do interior do imóvel. Além da péssima impregnação energética naquelas peças, com cento e trinta anos de existência, segundo a família da vítima, as mesmas estavam cheias de fissuras (rachaduras), que emanavam ondas ou flechas de forma nocivas a saúde, também chamadas “Shars”. Na prática, os Shars são quaisquer linhas ou ângulos retos que apontem diretamente para nós ou para nossa casa torpedeando-nos energeticamente ou mesmo vampirizando-nos. Um relato importante feito após a minha detecção pela família, foi que a artista contraiu a doença exatamente ao entrarem as peças na residência há um ano. Por isto, recomendo àqueles que apreciam peças de antiquário, que façam alguma limpeza energética como a aplicação de água com anil, ou água com sal grosso, ou até uma defumação para afastar aquelas energias de apego dos antigos proprietários das respectivas peças.
Artigo extraído do livro “Feng Shui na Vida Atual” de Dirceu Galhardi
Dirceu Galhardi
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
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